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Endireitamento

Os gregos antigos se organizavam socialmente em cidades-estados, conhecidas entre eles como pólis. O homem livre, grego, nascido na pólis, era chamado de politikós. Estes, eram os indivíduos que participavam das decisões acerca da condução da pólis. Reunidos nas Ágoras (praças gregas), deliberavam sobre a defesa da cidade, a construção do espaço público, as atividades econômicas e todos os assuntos relacionados com o contexto público e o bem comum. Nesse sentido, a política é uma prática ou ação humana voltada para a construção coletiva de um espaço público onde seja possível assegurar e vivenciar o bem comum. Aqueles que, diferentemente dos politikós, não participavam da vida pública, eram conhecidos como idiótes (mulheres, escravos, estrangeiros). Mais tarde esse termo foi usado pejorativamente para identificar os que possuíam limitações cognitivas para adequada compreensão e manifestação.

Apesar da costumeira desconfiança e das comprovadas maracutaias que nos desmotivam a participação política, somos chamados à responsabilidade, a cidadania, produzindo o cuidado divino nas exortações para com as autoridades; afinal, dizem respeito à nossa vida diária: moradia, alimentação, estudos, saúde, religiosidade, esportes, liberdade de expressão, segurança, emprego, dentre outros. Consciente ou não a política nos move, nos envolve.

Como cristãos a responsabilidade é iniciada pela necessidade de consciência política, o que, biblicamente, se encaixa no famoso, mas difícil, discernimento. Mas, infelizmente, a igreja tem-se mostrado inoperante quanto a esta tarefa em fases de sua história, tornando-se medíocre em suas críticas, assim como a maior parte da sociedade que participa efetivamente da destruição do patrimônio público e privado; que não coopera com a manutenção da cidade; que não contribui com ideias e trabalho, mas que, diante da consequência prejudicial de seu próprio descaso, irremediavelmente culpa o governo por toda catástrofe existente.

Diferentemente destes, a igreja, que tem a responsabilidade da diferença (sal na terra e luz no mundo), tem de assumir sua tarefa que se apresenta de forma implícita e explícita. Implicitamente, honrar, obedecer, cumprir a lei, rejeitando o jeitinho que em nada se alinha ao padrão de santidade de seu Senhor (1Pedro 2.13-17; Tito 3.1-2). Ao contrário de se entregar à tentação do falar mal, do difamar, a igreja deve interceder por aqueles que são autoridade por decisão Soberana (1Timóteo 2.1-2).

É impressionante como o “povo de Deus” encontra enorme facilidade e disposição de passar e-mails e de conversar difamando e criticando as autoridades governamentais; mas, em contrapartida, encontra teimosa dificuldade em interceder em favor destes. Parece que a igreja sofre de amnésia quanto a esta tarefa.

Explicitamente, a tarefa da igreja é a de proclamar a verdade, o evangelho que traz a mensagem de Deus quanto à salvação e a vida (o que inclui, em muito, a política). O evangelho é o poder de Deus para salvação (Romanos 1.16). É a lei de Deus para a mudança de vida, que envolve santificação (Filipenses 3.12-16). É a proclamação da ética divina que realça o amor, a imparcialidade, desnudando a mentira, o orgulho, a inveja, a dissensão (Provérbios 6.16-19; 11.1-2; Colossenses 3.5-11; Tiago 3.13-18).

Mediante este proceder a igreja tende a uma expectativa realista. Fico surpreso com o cristão (principalmente o líder) que se surpreende com a corrupção, a conduta pecaminosa entre os políticos, deixando-se desanimar, abater. Qual a surpresa? O que esperar de pessoas que não tem o Criador como referência? Ele já afirmara que este mundo jaz no maligno (1 João 5.19) e que o homem natural não entende as coisas espirituais (1 Coríntios 2.14-16); então, o que esperar, perfeição, ética impecável? O cristão que assim se apresenta ou não conhece as Escrituras devidamente ou não leva a sério suas afirmações. É exatamente por isso que somos chamados a fazer a diferença no mundo. Assim, nossa expectativa não deve ser a de perfeição por parte destes, algo impossível até para nós, enquanto possuidores desta natureza pecaminosa.

Neste aspecto o pastor (o líder) é figura essencial, ao exortar o povo a interpretar a realidade de seus dias, tendo como referência (1) as informações acerca da estrutura deste mundo e (2) os princípios de Deus para a vida. A primeira nos mantém atentos para a realidade do pecado e do uso do poder na sociedade para mantê-la aprisionada segundo o curso deste mundo que é segundo o príncipe da potestade do ar, a fim de que todos vivam, segundo as inclinações pecaminosa de sua própria natureza (Efésios 2.2-3). A segunda, nos mantém afastados da influência da primeira, conduzindo-nos à vida abundante compartilhada por Cristo, ao ensinar a santidade em nossas relações pessoais e a pureza nas decisões e ações que corretamente, sempre beneficiará o próximo.

Vivemos dias, em nosso país, em que há um clamor popular por justiça; mesmo que seja por meio de um discurso incompleto e carente de coerência. Como igreja, devemos concordar que a injustiça deve cessar. Mas, que comece em nós e se espalhe através de nós. Não podemos ser tolos, atribuindo toda injustiça a um partido político, ignorando a generalização dos problemas na estrutura política do país, que aprendeu em sua história a ser corrupta.

Entendo que para muitos, este partido representou a esperança de mudança com a tão sonhada pureza nos corredores do poder e que a decepção foi profunda na constatação de sua igualdade aos demais na impureza, produzindo esta caça às bruxas, tendo-o como representante, agora, de todo o mal existente na política. Mas, até nas horas de tensão somos chamados ao equilíbrio nas interpretações e ações. O sistema é corrupto porque a sociedade, a igreja, a família compartilha desta corrupção. Por isso, independentemente de que as mudanças aconteçam, temos de começar por nós a cura da maldade. Como disse o Senhor a Israel: “Lavai-vos, purificai-vos, tirai a maldade de vossos atos de diante de meus olhos; cessai de fazer o mal. Aprendei a fazer o bem; atendei à justiça, repreendei ao opressor; defendei o direito do órfão, pleiteai a causa das viúvas” (Isaías 1.16-17).

Reconheçamos nosso pecado e assumamos a vida em santidade, a começar pelo endireitamento de nossas relações pessoais e de nossos negócios. Se, servirmos de modelo e estímulo para a sociedade, todos serão beneficiados, mesmo que por um pouco. Se, não, pelo menos, adoraremos o Santo e seremos livres em nossa consciência, não compactuando com o mal e, ainda, cumpriremos com nossa tarefa de “proclamar as virtudes daquele que nos tirou das trevas para a sua maravilhosa luz” (1Pedro 2.9).

ABCB 3

Congresso de Aconselhamento

1ª Conferência de Formação e Treinamento em Aconselhamento bíblico em Manaus. De 10 a 13 de maio. Inscreva-se e participe deste momento histórico: www.abcb.vpeventos.com

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Está consumado!

O que estaria consumado na expressão de Jesus Cristo, imediatamente antes de sua morte? (João 19.30) O conjunto do que viera realizar? Efetivamente, o seu sacrifício? Mais extensivamente, o seu ministério? Ou, até mesmo, a aplicação de tudo naquilo que estava por vir?

Talvez, seja exatamente a última questão que o apóstolo Pedro se refira em sua afirmação aplicativa, quando diz: “Carregando ele mesmo em seu corpo, sobre o madeiro, os nossos pecados, para que nós, mortos para os pecados, vivamos para a justiça; por suas chagas, fostes sarados” (1Pedro 2.24). Olha para a sua pessoa e obra, especialmente na cruz, e aplica diretamente, considerando seu efeito certo na vida daqueles a quem viera salvar.

Neste sentido, a expressão “está consumado” pode ser associada a cada pessoa alcançada pela obra de Cristo. Ele fora completo em toda a sua realização; isto é, tudo o que fizera, consumado na cruz, salva e não simplesmente cria a possibilidade de salvação. Tudo o que era necessário foi feito e, nesse sentido, tudo estava consumado. E, como extensão dessa consumação, seu efeito certo na vida dos indivíduos representados por ele na cruz; faltando, apenas, sua aplicação na época da vida de cada indivíduo.

Quando fui conduzido a Cristo (o caminho, a verdade e a vida) pela ação do Espírito Santo, usando as circunstâncias, no momento de minha conversão, se consumou o que ele fizera na cruz à minha realidade presente. Tudo incluído – pensado, planejado, executado, confirmado e, agora, aplicado. Tão certo que minha própria condução para conversão acontecera por estar incluído em sua obra na cruz. É exatamente o que Pedro afirma: “Carregando ele mesmo em seu corpo, sobre o madeiro, os nossos pecados, para que nós, mortos para os pecados, vivamos para a justiça; por suas chagas, fostes sarados”. A vida em justiça, a cura, tudo se tornara certo, e infinito, como consequência do seu carregar de nossos pecados no madeiro.

Consegue entender o que é graça?

Culpado. Pecador. Desonestamente criatura. Justamente merecedor de condenação. Sem nada a oferecer que valesse à pena. Distância do Criador por causa do orgulho. Impuro e profano na alma e no corpo. Condenado em certezas tão incertas para a vida e tão certas para a perdição. E, em meio a tudo isso, sou impactado pela mensagem do evangelho – poder de Deus para salvar a mim e a todo tipo de homem. Tão surpreendido que a única ação é a de cair em terra, falido, convertido e grato; convicto de minha nova realidade em Cristo e infinitamente pronto para adorá-lo com o meu viver, tudo o que sou, tenho e faço; pois, afinal, nada é meu, tudo é dele, por ele e para ele.

Está consumado!

deus

De quem é o senhorio?

Biblicamente, tudo se resume na questão do senhorio. Este foi o problema de Satanás que repassou para o homem, por meio da tentação; e que parece se repetir em toda questão pecaminosa.

A vivência diária está em satisfazer a mim mesmo, por meio dos desejos de meu coração, agindo como senhor; ou, sabedor desta tendência, me submeter ao senhorio de Cristo. Qualquer expressão de idolatria externa – imagens, esculturas, coisas, animais, pessoas – tem, ao final, o objetivo de satisfazer o ídolo maior que existe em mim – eu mesmo.

Por isso, somos exortados a matar a influência desta pecaminosidade em nós que insiste em nos fazer acreditar que somos senhores de nosso viver (Romanos 8.9-13).

O pecado engana facilmente porque controla a vontade humana, e isso altera o julgamento. Quando a concupiscência prevalece, predispõe a mente para aprová-la. Quando o pecado influencia nossas preferências, ele parece agradável e bom. A mente é naturalmente predisposta a pensar que tudo o que é agradável é correto; portanto, quando um desejo pecaminoso vence a vontade, também lesa o entendimento. Quanto mais a pessoa anda no pecado, provavelmente, mais a sua mente será obscurecida e cegada. É assim que o pecado assume o controle das pessoas.

 A pessoa tem a falsa impressão de senhorio; mas, na realidade, está debaixo de outro senhorio (influência, referência). Paulo, simplifica este entendimento em sua carta aos efésios.

1. O Eu e suas consequências (a procura da autoestima)

(Efésios 4.17-19)

O problema: O andar pecaminoso.

O contexto: Referência e influência destrutivas (2.1-3).

O foco: O eu.

O combustível: O orgulho.

As consequências: A ignorância, a impaciência e o desamor.

O resultado: A dissensão.

Todo o contexto exposto no capítulo 2 (2-3), procura, cria, estabelece padrões e estruturas que enalteçam o eu, por uma questão de senhorio. Daí a procura da autoestima, como princípio norteador para o viver.

2. O Senhor e suas consequências (a procura da adoração)

Em contrapartida, temos o outro andar (Efésios 4.1-3)

 A exortação: O andar vocacionado.

O contexto: Referência e influência para a vida (2.1, 4-5, 8-10).

O foco: O Senhor.

O combustível: A humildade.

As consequências: A mansidão, a paciência e a compaixão.

O resultado: A unidade.

O que Paulo ensina é a troca do paradigma humano (egoísta) pelo paradigma divino, entendendo e vivendo toda a realidade a partir dos princípios do Senhor. Daí a necessidade de fundamentar o todo da vida por meio das Escrituras.

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Unidade x Uniformidade

Acesse no link abaixo o conteúdo de minha palestra da 31ª assembleia da AIBREB em Rio Branco, no Acre, tratando sobre o assunto: “Unidade x Uniformidade”. Se preferir, clique no segundo link e assista o vídeo.

AIBREB 2015 AIBREB 2015

casamento

O que o tempo não pode mudar em meu casamento?

 

O que o tempo não pode mudar em meu casamento?

A aliança. Esta seria a resposta mais breve e inclusiva.

Quando assumimos diante de Deus e dos homens a decisão de unir-nos ao outro, tornando-nos uma só carne, uma só pessoa, mudamos radicalmente nossa vida. E esta mudança se dá, basicamente, por três razões: (1) Assumimos uma só vida a dois. (2) Assumimos viver esta vida como adoração ao Senhor. (3) Assumimos uma aliança inquebrável. Isto pode ser observado por meio dos votos. Eis alguns dos que já assumidos em casamentos que celebrei:

(1º exemplo): (Ele) Você aceita recebe-la como sua esposa; prometendo considerá-la como a pessoa mais importante em sua vida, respeitando, ouvindo, protegendo e honrando-a, até que a morte os separe? (Ela): Você aceita recebe-lo como seu esposo; prometendo honrá-lo por meio de sua fidelidade e de sua disposição em ser-lhe submissa, como ao Senhor, até que a morte os separe?

(2º exemplo): (Ele) Você promete amar a sua esposa, enquanto viver; priorizando-a dentre todos, inclusive pais; ouvindo-a com crescente consideração e cuidando para que tenha uma vida melhor a seu lado, até que a morte os separe? (Ela) Você promete amar a seu esposo, enquanto viver; priorizando-o dentre todos, inclusive pais; compartilhando o seu coração de uma forma crescentemente sábia e cuidando para que ele tenha uma vida melhor a seu lado, até que a morte os separe? (Pais) Prometem, diante de Deus e de todos, ajudá-los a crescer na vida a dois, acompanhando-os sem, contudo, atrapalharem sua intimidade? Prometem ajudar seu filho a enxergar sua esposa com a pessoa mais importante em sua vida? Prometem ajudar sua filha a respeitar seu marido como a pessoa mais importante em sua vida?

(3º exemplo): (Ele) Promete que seguirá sendo uma pessoa gentil, carinhosa e educada, que não usará a rotina como desculpa para a falta de bom humor? Promete que se relacionará sexualmente por prazer e que fará filhos por vontade própria, educando-os a serem independentes; bem informados e em tudo amigos do Senhor? Promete considerar sua esposa como a pessoa mais importante em sua vida, respeitando, ouvindo, protegendo e honrando-a, até que a morte os separe? (Ela) Promete não deixar a paixão fazer de você uma pessoa controladora e sim respeitar a individualidade de seu cônjuge, lembrando sempre que ele está ao seu lado por livre e espontânea vontade? Promete fazer da passagem dos anos uma via de amadurecimento e não uma via de cobranças por sonhos idealizados que não chegaram a ser realizados? Promete honrar a seu esposo por meio de sua fidelidade e de sua disposição em ser-lhe submissa, como ao Senhor, até que a morte os separe?

Eu sei que muitos passaram por esse ritual por pura tradição, incluindo a aliança assumida. As razões são variadas: imaturidade; ignorância; tradicionalismo; malícia. E isso, evidentemente, dificulta todo o relacionamento (construção, manutenção e usufruto). E, por isso, a vida não está como sonhara. E daí surge a frustração; e da frustração a dúvida; e da dúvida o descrédito; e do descrédito o desejo de rompimento. Outros estão lutando. Isto é, ainda tentando fazer dar certo. Não abdicaram da esperança e continuam como guerreiros, na expectativa de dias melhores.

Bom, seja qual for a situação e proporção, tenho três afirmações para você: (1) Ainda é tempo. Você está vivo! Não importa a idade. (2) Dá certo. (3) Mas, tem de ser do jeito que o Criador determinou.

O que está envolvido na aliança?

Ao homem, tornar-se homem. Pensar, sentir e agir como homem, assumindo a liderança eficaz que redunda em edificação para todos. E isto inclui, ao passo em que amadurece, abandonar o egoísmo de menino e amar a esposa, doando-se para que ela seja santificada (Efésios 5.25-26).

À mulher, tornar-se sábia, buscando edificação para o lar (Provérbios 14.1). E isto inclui o despojar-se do pecado de querer estar acima do marido. Respeitá-lo como líder, auxiliando-o em suas deficiências. Não reagir carnalmente, diante da insistente pecaminosidade do marido.

O que o tempo não pode mudar em meu casamento? A aliança assumida com o Senhor em fazer de meu casamento minha adoração. Lembre-se: (1) Ainda é tempo. Você está vivo! Não importa a idade. (2) Dá certo. (3) Mas, tem de ser do jeito que o Criador determinou.

Olhos_vendados

deus?

 

deus?

(retomando textos)

Há dois sentidos bíblicos para o termo “eternidade”. (1) O sentido específico que identifica o Senhor – “Plantou Abraão tamargueiras em Berseba e invocou ali o nome do Senhor, Deus Eterno” (Gênesis 21.33; Isaías 26.4). (2) O sentido limitado da vida para sempre – “Mas eu me lembrarei da aliança que fiz contigo nos dias da tua mocidade e estabelecerei contigo uma aliança eterna” (Ezequiel 16.60; Mateus 19.16, 29; 25.41). A limitação de “eternidade” aqui está no fato de que aquilo de que se fala possui um início; logo, não é essencialmente eterno. A melhor compreensão seria a de infinitude. Há um começo; portanto, há uma limitação quanto à origem; mas, não haverá um fim. Este é o entendimento adequado para o que identificamos biblicamente como “vida eterna”. Pensamos na sequência infinita; porém, houve um início. Ou, ainda mais, houve um tempo em que esta vida eterna não se aplicava à nossa realidade; mas, somente à mente do Senhor, que é Eterno.

Em seu sentido completo, eternidade é uma realidade única e exclusivamente divina. “Desde a eternidade fui estabelecida, desde o princípio, antes do começo da terra” (Provérbios 8.23; Miquéias 5.2; Habacuque 1.12; Isaías 57.15). A sabedoria é personificada, ligando-a como essência a pessoa de Deus. É eterna, não há origem, sempre existiu; no entanto, quando dirigida à nossa realidade criada, há referência a um começo: “desde o princípio, antes do começo da terra”. A limitação não está em sua existência, mas sim na existência da criação. É como se afirmasse: Antes de vocês existirem eu já existia; pois eu sempre existi.

Ao contrário desta realidade exclusivamente divina, nós, para sempre, viveremos a realidade da criação. “Nós, porém, segundo a promessa, esperamos novos céus e nova terra, nos quais habita justiça” (Isaías 57.15; Apocalipse 21.1-7; Romanos 8.18-23; 2 Pedro 3.13). Por isso, por toda a “eternidade” (infinitamente) o Cristo encarnado e transformado continuará a exercer a função de ser a expressão de Deus aos homens. Para sempre a realidade que existe continuará a existir, porém, em seu estado final: (1) A Trindade em sua eternidade. O que é exclusivo por sua essência, continuará exclusivo, devido a nossa limitação. (2) Os salvos redimidos, na criação redimida, gozando da presença do Senhor através de Cristo, expressão revelada (portanto, limitada) da Trindade eterna. (3) Os perdidos em juízo.

Nada impedirá esta realidade criada e determinada. “Lembrai-vos que eu sou Deus, e não há outro, eu sou Deus, e não há outro semelhante a mim; que desde o princípio anuncio o que há de acontecer e desde a antiguidade, as coisas que ainda não sucederam; que digo: o meu conselho permanecerá de pé, farei toda a minha vontade” (Isaías 14.24-27; Deuteronômio 32.39; Isaías 43.10-13; 46.8-11; Jeremias 31.3). E isto inclui tudo, pela própria realidade da criatura e da forma de criação que Deus estipulou (imagem e semelhança).

Criaturas que tem o objetivo de se relacionar, não sendo eternas, naturalmente em algum instante tomariam decisão equivocada. A determinação de Deus não está em seu pecar; pois, isso já seria o resultado comum à criatura pela essência de sua limitação. A determinação de Deus está em criar para se relacionar; isto é, onde está a limitação imposta ao homem? Exatamente na determinação de Deus em possibilitar ao homem o fazer escolhas conscientes. Isto é, por demais, interessante devido à contradição observada; pois, naquilo que o homem mais se agarra para defender sua liberdade de ser grande e independente (consciência) é exatamente o ponto de sua fragilidade e dependência.

Portanto, o problema não está em Deus; a solução seria ser como Ele. Porém, outro Deus não poderia vir a existir; somente criaturas limitadas. Exemplo para reflexão: Deus poderia criar alguém perfeito como ele? Não; caso contrário não seria criado, mas eterno (e isto não o diminui; ao contrário, enaltece sua grandeza e singularidade). Fez o melhor, num ambiente adequado, com mínimas possibilidades de sua criatura escolher o pior; mas, escolheu. Porém, Deus foi misericordioso, providenciando tentação externa e possibilitando salvação a criatura (diferentemente dos anjos, imortais).

O resultado: Todos nascem contaminados pelo pecado, com tendência ao erro; e, assim, condenados (João 3.36). Mas, por que todos não são salvos? A única resposta que temos nos indica o meio, sem, porém, explicar-nos as razões. “Os gentios, ouvindo isto, regozijavam-se e glorificavam a palavra do Senhor, e creram todos os que haviam sido destinados para a vida eterna” (Atos 13.48; Marcos 4.10-12; Mateus 11.20-24). Isso não é injustiça? Aos olhos temporais e limitados, talvez sim; mas aos olhos eternos, não. “Eu anunciei salvação, realizei-a e a fiz ouvir; ainda que houvesse dia eu era; e nenhum há que possa livrar alguém das minhas mãos; agindo eu, quem o impedirá?” (Isaías 40.12-18; 43.10-13; Romanos 9.14-24).

Assim, toda a história, incluindo a salvação, pertence ao plano eterno de Deus (Romanos 8.28-39). Portanto, não há espaço nas Escrituras para um deus que não conhece o amanhã.

vagabundo

Vagabundo

 

Viver neste mundo

Sem nutrir pertença

Impõe tremebundo

Peso, desavença

Respirar fecundo

De cruel descrença

No perfil oriundo

Da maledicência

Cria dó profundo

Do ser moribundo

Que sem Cristo pensa

Em ter recompensa

Ao ser vagabundo

No triste submundo

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Tempo de adoecer

 

(retomando textos)

“Tudo tem o seu tempo determinado, e há tempo para todo propósito debaixo do céu […]  Tudo fez Deus formoso no seu devido tempo” (Eclesiastes 3.1, 11).

 É admirável o conhecimento que se nutre do Senhor, o que torna ainda mais espantosa a inércia deste conhecimento no viver. Decididamente saber não é viver. Não há um santo, crente ou profano, que não concorde quanto à necessidade de diminuir o ritmo de suas atividades, da correria de seus dias. Agitação estafante, estranguladora do prazer e principal acusada da inversão das prioridades pelas urgências. “Estresse, estresse” é o termo modal na boca dos entendidos médicos e na do ignorante povo. Toda e qualquer imagem interiorana ou praiana desperta suspiros e sonhos distantes, empurrados para a sempre ausente e atrasada férias.

Deus já revelara tão objetivamente quanto ao tempo, que parece gerar descrença em seus ouvintes (a descrença será na mensagem ou no mensageiro? Talvez nos dois). Há tempo para tudo e isso inclui tempo para descansar; tempo para curtir a família, os irmãos, a natureza; tempo para refletir; tempo para um check-up na saúde; tempo para desligar o celular, para se desplugar; tempo para dizer “não”, mesmo quando tudo indica que você é o único possível e disponível para a tarefa.

Vez por outra o agir Soberano “prega uma peça” naqueles que não têm tempo de parar: enfermidade, atraso ou cancelamento de voo, são situações que mostram que o mundo não trava quando você para. Ao contrário, confirma que as pessoas vivem exatamente da mesma forma, quando não melhor, em meio à sua ineficácia; que aquela tarefa que somente você faria é realizada por outro ou substituída por outra superior. E, assim, as desculpas que servem como combustível para agitação e falta de tempo são humilhantemente derrubadas.

A real probabilidade é a de que o orgulho seja o grande vilão, pois o receio não é o desandar da rotina, mas sim a possibilidade de ser ignorado, substituído, encostado. A batalha do ego concentra-se na conquista do reconhecimento, nem que para isto se tenha uma vida de má qualidade, desprovida de prazer.

Vale a pena? Prefiro o descanso no Senhor ao orgulho ativista; assim como o bife no suave e pacífico lar ao caviar na estupenda e irada família. Afinal, a vida é mais atraente e prazerosa quando não seguimos na utopia de um senhorio próprio, mas reconhecemos o senhorio de Deus.

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Deus ou deus?

 

Temos um rei justo e implacável na administração de sua lei; porém, de escasso sorriso e de inimaginável abraço despretensioso em algum humilde que não o tenha merecido por uma tarefa frutífera e impecável ao Soberano.

 Temos um rei incrível! Forte, poderoso, vencedor de todas as possíveis e impossíveis batalhas, em quem podemos descansar na certeza de não existir poder superior para nos abater. Um rei santo! Tão santo; tão separado e irrepreensível que parece infinitamente distante de nossa insignificante realidade cotidiana. Ele é lindo! Perfeito! Porém, incomunicável em misericórdia e bondade.

Este parece o retrato de Deus para alguns. Um Deus sério, até mesmo sisudo, atento com um porrete em mãos para atingir a qualquer um dos seus que não siga suas recomendações, registradas em seu manual – a Bíblia.

O problema não está nos atributos identificados nas Escrituras acerca de Deus – Justo, Forte, Poderoso, Majestoso, Santo, dentre outros; mas, sim, na interpretação de alguns que redefine tais atributos à luz de questionável conhecimento e limitada formação. Para estes, Deus torna-se sério e correto; porém, feio e sisudo, possuindo séria dificuldade em demonstrar amor, além de absurda falta de realidade e de bom senso.

Jesus Cristo foi identificado como a revelação perfeita de Deus aos homens (Hebreus 1); e quando o consideramos nos evangelhos, reconhecemos um Deus repleto de compaixão, perdoador, com insistente visão de futuro para aqueles que eram limitados. Chamou seus discípulos e suportou suas idiotices porque sabia ser algo passageiro que desapareceria com a maturidade por vir – de discípulos a apóstolos. Olhou para a pecadora abordada em adultério e a perdoou por enxergar futuro para ela, além de reconhecer pecado em todos os seus acusadores.

E seus seguidores (a tempo e fora de tempo) deram sequência à sua conduta. Paulo afirmou que Deus nos salvou estando nós mortos em nossos delitos e pecados, quando andávamos aprisionados em meio a nossa rebeldia ao Senhor (Efésios 2.1-3). Os olhos do Senhor consideravam nossa realidade pecaminosa, mas valorizavam o futuro em meio à salvação e formação, através de Seu Espírito em nós.

Por que alguns insistem em proclamar um deus feio e sisudo que não perdoa as falhas e limitações e, ainda, tem séria dificuldade em reconhecer a realidade das pessoas? Por que alguns insistem em estabelecer uma estrutura religiosa baseada em uma visão de um deus indesejável, brigão e orgulhoso?

Talvez, porque o Deus revelado nas Escrituras ainda não tenha se tornado seu Deus. Talvez, porque insistam em manter-se surdo e cego para Sua revelação, impondo suas próprias vontades e definições acerca da vida desejada por Ele, revelando a pecaminosa disposição em ocupar Seu lugar ao definir o que deve ser considerado e como deve ser considerado. Talvez, porque o inimigo, ainda, os tenha mantido numa redoma de religiosidade, inculcando a falsa impressão de adoração, mas, na realidade, os mantendo distante da espiritualidade expressada nas Escrituras que estimula ao amor e a humildade.

Deus é Santo, Justo, Soberano, distante de qualquer pacto com o pecado; mas, isto não o torna feio, carrancudo, brigão, separado das pessoas. Deus é amoroso, repleto de compaixão, de misericórdia e de bondade. É um Deus repleto de alegria e que se compraz em criar oportunidades para a mudança esperada. É Deus de segundas oportunidades e que, em hipótese alguma, parece se alegrar com a derrota dos seus, movida pelo pecado.

Adoremos ao Senhor revelado nas Escrituras e, consequentemente, amaremos. Mas, se adorarmos ao deus criado pelos homens em sua religiosidade, aprenderemos a ser distantes e horrorosos. Adoremos ao Senhor!